Governo do Distrito Federal
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17/04/13 às 20h16 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

A favor de uma educação não-sexista

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A secretária de Estado da Mulher, Olgamir Amancia, acompanhada da subsecretária de Políticas para as Mulheres, Sandra Di Croce Patricio, apresentou ontem, 16, ao presidente do Conselho de Educação do Distrito Federal, Nilton Alves Ferreira, o projeto que a SEM-DF desenvolveu para oferecer subsídios à comunidade escolar acerca das formas que as questões de gênero e os direitos da mulher podem ser trabalhados em sala de aula, conforme determina a Resolução Normativa 1º/2012, exarada pelo colegiado.

O projeto, realizado em parceria com a Coordenação de Educação em Diversidade (CEDIV) da Secretaria de Educação, iniciou suas atividades em fevereiro deste ano, em Planaltina. De lá para cá, já foram oito edições do “Mutirão de Informação, Formação e Cidadania” – projeto “GDF Fazendo Gênero na Escola”. A proposta é realizar mais 32 encontros até o final de 2013, em todas as Regiões Administrativas do Distrito Federal, nas escolas públicas e particulares.

Olgamir Amancia explicou que, além de atender à resolução do conselho, a atividade tem como pano de fundo o II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres que, dentre várias diretrizes, busca promover a transformação da educação nacional rumo a uma educação inclusiva e não-sexista. Ela lembra que a influencia da educação sexista atinge várias áreas do cotidiano, como o mundo do trabalho. “A presença majoritária de mulheres em certas áreas profissionais – como as professoras de educação infantil – está condicionada ao padrão da divisão do trabalho na sociedade, cabendo às mulheres as ocupações relacionadas ao mundo privado e aos cuidados”, revelou a secretária.

A subsecretária Sandra Di Croce Patricio completou dizendo que a demanda surgiu, também, ao longo de 2012, durante os mutirões realizados com a comunidade. “Nossas atividades atingiram cerca de 1800 pessoas – homens e mulheres. A cada mutirão, realizávamos uma pesquisa qualitativa para avaliar o grau de satisfação e a impressão de cada uma e cada um acerca dos temas envolvidos. Em 95% dos encontros, foi sugerido que a Secretaria da Mulher levasse o assunto para as escolas, como forma de sensibilizar a comunidade escolar sobre o assunto”, relembrou Sandra Di Croce Patricio.

A secretária da Mulher comentou que esta estratégia diferenciada da Secretaria da Mulher busca eliminar conteúdos sexistas e discriminatórios e promover a inserção de componentes curriculares de educação para a equidade de gênero. Além disso, a atividade irá reforçar o papel do Estado, da escola e da sociedade na construção de uma cultura de equidade de gênero e de respeito à diversidade. “Uma educação não-sexista não reforça a concepção de um mundo masculino superior ao feminino; não limita a capacidade e autonomia feminina. Ela é o contrário disso: estabelece condições de igualdade de oportunidades para ambos os sexos”, disse.

Nilton Alves Ferreira, presidente do CE-DF, parabenizou à Secretaria de Estado da Mulher pela iniciativa e à CEDIV pela disposição de trabalhar em uníssono com a SEM-DF, destacando que a atividade não deve restringir-se às escolas públicas, tendo em vista que o sistema de ensino é um só. “Não há lugar mais qualificado que a escola para trabalharmos a mudança desses papéis culturais impostos aos homens e as mulheres. E a forma encontrada pela SEM-DF para articular esta nova percepção é didática, dinâmica e exemplar”, categorizou o presidente.

O conselheiro e presidente da Câmara de Educação Básica (CEB), Jordenes Ferreira da Silva, destacou que o trabalho da Secretaria da Mulher dá resposta a um clamor social antigo: a luta pelo fim da violência contra as mulheres. “Os resultados alcançados com as medidas tomadas hoje, que serão um legado para o DF, só poderão ser mensurados em longo prazo. Isso demonstra que as políticas públicas e ações da Secretaria da Mulher são iniciativas de Estado”, elogiou Ferreira.

O próximo passo dos órgãos é enviar uma recomendação à Secretaria de Educação de como as escolas podem trabalhar o recorte de gênero – dada a carga contextual que o tema possui – e os direitos da Mulher. A Secretaria da Mulher, em breve, lançará o “Jogo da Mulher” que, em formato do antigo Trunfo, aborda estes e outros pontos relacionados à autonomia e emancipação das mulheres.