Governo do Distrito Federal
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6/05/13 às 17h07 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

A força das mulheres na construção do Estádio Mané Garrincha

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Juntas, elas dividem com os homens a missão de erguer o Estádio Nacional de Brasília, com 96% da obra já concluída

A possibilidade de crescimento do setor da construção civil no Distrito Federal em virtude dos grandes eventos, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, é um atrativo à parte para mulheres que desejam inserir-se no mercado ou buscar novos desafios. E, para elas, não se trata apenas de salários mais altos e melhores condições de trabalho. Muitas querem, simplesmente, ter independência.

A construção do Estádio Nacional de Brasília, por exemplo, aumentou consideravelmente a demanda de pessoal qualificado. É nesse sentido que as mulheres estão aproveitando para se inserirem nesse ramo, que antes era de pleno domínio masculino. Atualmente, já é possível ver nos canteiros de obras mulheres que desempenham diversas funções, desde serventes, carpinteiras, ajudantes de obras, pedreiras, soldadoras, até técnicas de segurança do trabalho e engenheiras civis.

As obras dos estádios da Copa 2014 empregam quase duas vezes mais mulheres que a média geral da construção civil nacional. De acordo com informações publicadas na Folha de São Paulo, com base em pesquisas do IBGE, cerca de 441 mulheres estão presentes nos canteiros de nove arenas do Mundial. A mão de obra feminina representa 5,09% dos operários dos nove canteiros de obra do país.

A obra do Estádio Nacional de Brasília para a Copa 2014 emprega, atualmente, 245 mulheres, número que equivale a mais de 10% do total de operários em atividade na Arena Multiuso. Elas recebem salários iguais aos dos homens que desempenham as mesmas funções. “Ver mulheres inseridas em áreas tidas como 'masculinas' rompe com a ideia do machismo, de que o lugar da mulher é dentro de casa ou em ramos que não exijam tanto esforço braçal, por exemplo. As mulheres possuem condições plenas de ocupar qualquer emprego, qualquer cargo de poder”, afirma Olgamir Amancia, secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal.

Muito mais que ajudar nas tarefas – Para muitas, trabalhar na construção civil é um ato de libertação. Enquanto empregos tradicionalmente femininos como cabeleireira, babá ou garçonete pagam, em média, de R$ 700 a 1.400 por mês, a atividade de pedreira, carpinteira ou encanadora pode render até R$ 3.800 mensais. E, quem chega a mestre de obras, pode levar para casa até R$ 5.400 mensais, segundo dados apontados pela Câmara Brasileira da Indústria na Construção – CBIC.

“O diferencial da presença de mulheres nessa profissão é que elas são muito mais detalhistas, econômicas e cuidadosas ao manusear os equipamentos. Elas são mais requisitadas que os homens para as atividades que exigem mais paciência e precisão, como o acabamento das obras, revestimentos de partes externas e finalização dos detalhes. Quando a preocupação maior é a estética, a ajuda da força feminina faz a diferença”, acredita Olgamir Amancia.

No Brasil, a presença das mulheres na construção civil ainda é rara. Porém, nos últimos dez anos, a participação feminina no setor aumentou 8%. Segundo o Ministério do Trabalho, o número das operárias pulou de 83 mil, no ano 2000, para 138 mil, em 2008. Atualmente, mais de 200 mil mulheres rebocam paredes, carregam tijolos e misturam cimento nos canteiros de obras do país.

Andamento da obra – Sob responsabilidade da engenheira Maruska Lima de Sousa Holanda, da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), a construção do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha segue em ritmo acelerado: 96% de sua execução foi finalizada. Cerca de cinco mil funcionárias (os) trabalham na obra, divididos em três turnos. As funcionárias e funcionários trabalham em ritmo acelerado, tendo em vista que a entrega da Arena será em 18 de maio.

“Isso é um orgulho muito grande para elas e também para mim, como engenheira. Com a presença de várias mulheres no canteiro de obras, houve até uma mudança na consciência dos homens. O ambiente de trabalho ficou mais cortês e familiar devido à sensibilidade feminina”, destaca Maruska Lima.

Qualificopa – O Governo do Distrito Federal investe na capacitação como um dos grandes legados da Copa. O programa Qualificopa já capacitou, desde 2011, 5.676 pessoas, incluindo mulheres que passaram pela rede de atendimento à mulher em situação de violência do Distrito Federal. A sétima turma está em andamento, com formatura prevista para este mês.

Da quarta turma, 100% dos capacitados como vendedores estão inseridos no mercado de trabalho, assim como os 97% dos formados em telemarketing, os 90% dos especializados em garçons, e os 90% dos operadores de caixa.

A iniciativa oferece 12 opções de cursos: assistente administrativo, webdesigner, informática básica, atendente de consultório, organização de eventos, telemarketing, operador de caixa, montagem e manutenção de microcomputador, supervisão de hospedagem, vendas, camareira e garçom. Aulas de inglês são disponibilizadas para os alunos que participam de todos os cursos.

Foto: André Sousa