Governo do Distrito Federal
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28/01/16 às 14h27 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Diversidade de gênero é destaque em evento do governo na sexta (29)

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Servidora Paula Benett comemora iniciativa promovida no Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais

Jade Abreu, da Agência Brasília


28 de janeiro de 2016 – 08:05

Paula Benett nasceu mesmo aos 14 anos. A servidora do governo de Brasília conta que sempre se viu como mulher, com mente feminina, mas se sentia presa a um corpo masculino. Não se identificava com a imagem refletida no espelho e com os costumes culturais do sexo biológico. Em 1994, assumiu o nome social — usado por quem não se sente representado pelo oficial — e escolheu o documento que passou a usar.

Desde então, a vida tem sido marcada por preconceitos, diz. “Na escola, a hora da chamada era sempre motivo de risos e de chacota dos alunos e dos professores”, recorda-se Paula. A inserção no mercado de trabalho, segundo ela, também é complicada. Antes de estar no governo, trabalhou como atendente de telemarketing e reviveu os tempos do colégio. “Há um espanto na primeira vez que nos veem no ambiente de trabalho, cochichos, ninguém espera nos ver em um patamar de autoridade.”

Visibilidade
Assessora do coordenador de Promoção de Direitos da Diversidade, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, ela comemora a iniciativa da pasta de promover na sexta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais, um evento para debater os padrões de beleza na sociedade.

 

O fato de poder discutir sobre diversidade de gênero em nível governamental é uma das conquistas do movimento Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Transexuais (LGBT), considera Paula, bem como a adoção do nome social em outras cinco secretarias de Estado além da em que ela trabalha: de Cultura; de Educação, Esporte e Lazer; de Justiça e Cidadania; de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude; e de Saúde.

Na programação de sexta-feira estão previstas atividades para reforçar a autoestima, como corte e pintura de cabelo, máscara capilar, limpeza de pele, massagem facial e desenho de sobrancelhas. O evento, gratuito, será no Centro de Referência Especializado de Assistência Social da Diversidade, na L2 Sul, Quadra 614, das 14h30 às 18 horas.

Na terça-feira, 2 de fevereiro, o debate em relação à visibilidade trans continua com novo encontro, desta vez entre grupos LGBT brasilienses e representantes das secretarias, para discutir pautas dos movimentos voltados às orientações sexuais e às identidades de gênero. Ocorrerá no auditório da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), no Setor de Administração Municipal, Bloco F, próximo ao Palácio do Buriti, a partir das 14 horas. Embora direcionados ao universo LGBT, ambos os eventos são abertos a todos os públicos.

Diálogo
Para o coordenador de Promoção de Direitos da Diversidade, da Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, Flávio Brebis, destacar um dia para a visibilidade é importante para fortalecer os direitos da população inserida nesses movimentos. Nem todas as definições de orientação sexual e de identidade de gênero são de conhecimento geral, por isso torna-se fundamental o diálogo com o governo, acredita Brebis. “A gestão pública deve agir quando detecta vulnerabilidade em um determinado setor da sociedade para que os direitos iguais sejam garantidos.”

Segundo ele, no Brasil, a estimativa é que morra uma pessoa do público LGBT a cada 24 horas. A forma de diminuir essa estatística, ressalta Brebis, é desconstruir o preconceito. Em Brasília, quem se sentir discriminado pode relatar a situação às ouvidorias da secretaria, pelos telefones 156 e 162, ou ligar para o número do governo federal, o Disque 100.

Nomenclatura LGBT
De acordo com o Ministério da Saúde, identidade de gênero é diferente de orientação sexual (veja a arte abaixo). A primeira tem a ver com o modo como a pessoa se identifica, ou seja, uma mulher é definida como tal pela mente feminina e não pelos órgãos genitais ou por quem sente atração. Assim, a identidade de gênero pode ser masculina, feminina ou transitar pelas duas. Ela difere da orientação sexual, que está ligada às relações tanto emocionais, sexuais como afetivas.

 

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