Governo do Distrito Federal
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24/10/12 às 12h25 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

Empoderar para emancipar

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Programa Rede Mulher já sensibilizou mais de 1.500 pessoas. Vicente Pires foi o local escolhido para receber a 33ª edição do mutirão

No último dia 22, a Secretaria da Mulher do Distrito Federal (SEM-DF), por meio da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, levou o projeto “As mulheres dão as cartas” para as servidoras da Administração Regional de Vicente Pires. Cerca de 25 mulheres participarão do “Mutirão de Informação, Formação e Cidadania” – ação integrante do projeto.

A atividade começou com uma fala do administrador regional de Vicente Pires, Ebenezer Aquino, que enalteceu o trabalho da Secretaria da Mulher e destacou algumas vitórias do universo feminino ao longo da história. “Bravas mulheres lutaram para conseguir algumas das conquistas que vocês vivenciam hoje, como o acesso à educação e o direito de votar. Muito ainda precisa ser feito, como extinguir o machismo da sociedade. E serão em momentos como o de hoje, baseado na união e no respeito, que vocês conseguirão atingir metas nunca antes imaginadas. Contem como o apoio da administração para o que precisarem”, disse Aquino.

Em seguida, a subsecretária de Políticas para as Mulheres, Sandra Di Croce Patrício, explicou como seria a atividade do dia e deu uma prévia dos assuntos que seriam trabalhados, como Lei Maria da Penha e gênero. Por meio da mascote do programa, um casal trabalhado em madeira, ela deixou uma pergunta para as participantes: qual a sociedade que queremos construir? Uma em que o homem domine a mulher? Uma em que a mulher domine o homem? Ou uma baseada na equidade de gênero? Coube a cada uma um raciocínio pessoal, alimentado, também, com o que foi exposto na sequência.

Após a apresentação do projeto, a coordenadora Cláudia Afonso explicou o que é a Lei Maria da Penha, quais são os crimes tipificados sob a norma, o que são medidas protetivas, quais são os equipamentos públicos disponibilizados pelo Governo do Distrito Federal para auxiliar às vítimas de violência doméstica e a importância da denúncia para minimizar, ou coibir, novos casos de agressão.

Em seguida, a secretária de Estado da Mulher, Olgamir Amancia, falou sobre a construção da cultura machista e sexista. “A violência contra a mulher é resultado de uma construção histórica — portanto, passível de desconstrução — que traz em sua base uma relação intimista com as categorias de gênero, sexismo, classe e raça/etnia e suas relações de poder. Todas vocês precisam ter consciência da sua responsabilidade em não aceitar conviver com este tipo de situação. Quando nos calamos, contribuímos para o perpetuamento da impunidade e, assim, não temos condições de construir uma sociedade mais homogênea, onde homens e mulheres caminham lado a lado”, disse Amancia.

A secretária ainda questionou às participantes se a forma como a sociedade, em sua maioria, educa seus descendentes é ou não machista. Para que as mulheres pudessem responder, ela deu exemplos como a maneira que os pais incentivam seus filhos a brincarem – as meninas de boneca, casinha; e os meninos de futebol, skate – como vestem sua prole – as meninas de rosa; e os meninos de azul. “São situações do cotidiano que, muitas vezes, passam despercebidas. Mas, ao pararmos para pensar no contexto social e psicológico de cada ação, vamos perceber que se trata de costumes sexistas, que impõem uma desigualdade de gênero”, alertou Olgamir Amancia.

Momentos de reflexão – Este mutirão, especificamente, foi marcado por depoimentos, alguns baseados no êxito de sair do ciclo da violência; outros com uma conotação mais estimulante, no sentido de incentivar àquelas que sofrem de violência doméstica a saírem desta realidade e procurarem um auxílio do Estado. Não faltaram mulheres que se dispuseram a expor um pouco de sua vida com as demais presentes no mutirão.

Um dos depoimentos mais emocionantes foi o da servidora Gil (nome fictício) que há dez anos sofre de violência doméstica praticada pela família do companheiro. Segundo ela, são comuns as agressões físicas e verbais e que o último caso foi registrado há seis meses apenas. “Meu marido me protege muito, assim como o meu filho. Mas, mesmo com tanto amor que eu recebo deles, não consegui suportar a dor de ser agredida e, por isso, desenvolvi sérios problemas psicológicos. Faço acompanhamento médico, tomo remédio controlado e já fui internada no Hospital São Vicente de Paula várias vezes. A dor deixada na alma dói muito mais que um tapa”, relatou, emocionada, a valente mulher.

Gil não denunciou a mãe do companheiro, mas já procurou auxílio pelo telefone 156 opção 6 acerca dos seus direitos. “Queria muito que ela pagasse por tudo aquilo que faz comigo, mas como é a mãe do meu esposo, sinto muita pena dele. Sentimentos como ódio e amor se confundem dentro de mim, não sei como lidar com eles. Talvez, um dia, encontre coragem para denunciá-la”, acredita a servidora.

A servidora Soraya Silva, por sua vez, contou que sofreu violência por parte do ex-marido durante os 22 anos que permaneceu casada com ele. Separada há três anos, ela relatou que sua vida deu um salto de qualidade jamais imaginado. “Recuperei minha autoestima, voltei a ser quem eu era e tenho liberdade para fazer o que desejo. É a melhor fase da minha vida”, expôs Silva.

O conhecimento produzido pelas participantes formou a “Carta das Mulheres de Vicente Pires”, que comporá uma página de um livro que a Secretaria da Mulher irá produzir ao final de todos os mutirões. Ela também será enviada a todas as moradoras que participaram da atividade e, na sequência, será realizada uma caminhada com distribuição do material, juntamente com a cartilha Lei Maria da Penha, cujo objetivo é multiplicar o conhecimento gerado pelas lideranças femininas.

Saiba mais – O “Mutirão de Informação, Formação e Cidadania” faz parte do programa Rede Mulher, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Mulher, que se caracteriza como uma política pública intersetorial, multidisciplinar e integrada, formulada sob a concepção do trabalho em rede.

Os mutirões têm objetivo de levar às mulheres residentes nas localidades prioritárias do programa informações acerca da Lei Maria da Penha, especialmente sobre as várias formas de violência contra a mulher, e dos serviços especializados de atendimento à mulher vítima de violência. Os mutirões se propõem, ainda, a funcionar como instrumentos de divulgação das políticas públicas que beneficiam diretamente as mulheres e como instrumentos de apoio à mobilização comunitária das mulheres para a adesão às políticas públicas do GDF e outras instituições.

Este foi o 33º Mutirão de Informação, Formação e Cidadania. Com o resultado de hoje, este projeto da SEM-DF já empoderou mais de 1.500 pessoas, incluindo homens e mulheres. Ao todo, serão 40 encontros até o final deste ano. O próximo está marcado para o dia 6 de novembro, no NAI de Valparaíso, das 13h30 às 16h. Mais informações pelo telefone (61) 3355-8080.