Governo do Distrito Federal
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17/03/15 às 2h13 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Especialistas debatem violência doméstica

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DF ser campeão em denúncias é uma vitória, dizem eles 

Janaina Michalski
Repórter Ascom Semidh
 

Especialistas reuniram-se nesta segunda (16), no auditório do Interlegis do Senado Federal, para debater os desafios culturais e éticos do enfrentamento à violência contra a mulher. O evento fez parte da terceira semana de atividades do “Março de todas as Mulheres” (confira a programação). 

Além da secretária adjunta de Políticas para Mulheres do GDF, Cleide Lemos, participaram da mesa a delegada da mulher, Ana Cristina Santiago, a representante do Instituto Legislativo Brasileiro, Dalva Dutra, o juiz coordenador do Centro Judiciário da Mulher, Ben-Hur Viza, e o consultor da Unesco, Renato Caporali. 

Para os especialistas, o fato de o Distrito Federal ser campeão em denúncias a partir do disque 180 significa uma vitória no combate à violência doméstica, uma vez que a denúncia é o ponto de partida para o início de qualquer investigação. 

“Isso acontece porque as mulheres estão mais instruídas, mais cientes dos seus direitos e mais confiantes nos órgãos públicos”, afirmou a delegada Ana Cristina. 

Ainda nesse aspecto, os participantes destacaram a importância da Lei Maria da Penha, que apenas em 2014 teve 14 mil registros no DF. Além disso, segundo a delegada, de todas as ocorrências policiais, 50% estão relacionadas à Lei.  

Já o Viza assinalou que, para cada dez denúncias de violência doméstica, outras dez ocorrências mais sérias não são denunciadas, o que revela que há muito o que se avançar em termos de enfrentamento. 

“Boa parcela das mulheres que morreram vítimas da violência doméstica não registraram ocorrência ou registraram e desistiram em determinado momento”, revelou o juiz. Para ele, a temática da violência de gênero é muito complexa, ao ponto de não existir a possibilidade de ser erradicada, apenas abrandada. 

“Há um pressuposto culturalmente criado de que a mulher possui uma culpa implícita por sofrer um ato de violência. É preciso debater eticamente as diferentes instâncias do sistema de proteção contra a violência doméstica para que possamos abrandá-la ao máximo”, concluiu. 

Ascom Semidh
3961-1782 e 3425-4779