Governo do Distrito Federal
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9/10/15 às 18h21 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Quilombo dos Mesquita recebe Unidade Móvel da Semidh

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Visitas a mulheres ciganas, indígenas e quilombolas descentralizou Outubro Rosa

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Nesta quinta-feira, 8 de outubro, a unidade móvel de atendimento à mulher do campo e do cerrado, equipamento da Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh), visitou o Quilombo dos Mesquita, situado a cerca de 8km da Cidade Ocidental.

O dia de atividades na sede da Associação Renovadora do Quilombo Mesquita foi a última parada dos quatro dias consecutivos de visitas a mulheres ciganas, indígenas e quilombolas. Segundo Geralda Resende, da coordenação de promoção de políticas para as mulheres (Coprom), a intenção da Semidh foi a descentralizar as atividades, normalmente acontecidas somente no meio urbano.

Servidores da Semidh promoveram atendimento psicossocial e jurídico, fizeram palestras sobre o combate à violência contra a mulher, colaboraram em atividades de outros parceiros, aprendendo a fazer bonecas abayomis, e sobretudo dialogaram com a comunidade, cuja história começou a se formar mais de cem anos antes de Brasília.

Lideranças quilombolas da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Conaq), Selma de Aldina e Sandra Andrade – respectivamente do território Sapê do Norte (ES) e da comunidade quilombola Carrapato da Tabatinga (MG) – destacaram que a comunidade do Mesquita elegeu uma das únicas oito vereadoras quilombolas do país, Sandra Pereira Braga, presidente da associação local.

Abayomis

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Pela manhã, a médica Quênia Pereira de Moura, do programa Saúde em Família, fez palestras sobre câncer de mama, abordando de fatores de risco – como primeira menstruação precoce, não ter engravidado, fumar etc. – a técnicas de autoexame.

Depois, a própria doutora Quênia se sentou para aprender um pouco a fazer bonecas de tira de pano chamadas abayomis, seguindo as lições de Tereza Cristina do Nascimento, militante negra de Ceilândia e uma das articuladoras da marcha das Mulheres Negras, que acontecerá no dia 18 de novembro.

“As abayomis devem receber um nome e ser dadas para alguém”, explicou Tereza, no espírito de “a pessoa leve com ela o que a gente tem de melhor”. Nascida das mãos da vereadora Sandra, “Guerreira” foi ser companheira da drª Quênia, que retribuiu a homenagem, batizando sua abayomi guerreira como “Sandra”.

Ao passo que cada um falava, vinham a lume os nomes de “Larissa”, “Esperança”, “Cris”, “Mel”, “Isaura”, com mais ou menos simbolismo e história própria para cada uma, Das mãos de Paulo César Ramos, nasceu “Poliana”, mas não foi dada para ninguém, ficou guardada para sua filha, de mesmo nome.

Projetos

Radicado há dezoito anos no Mesquita, o “PC do PT” é muito engajado nos muitos projetos locais, quase todos, verdadeiras lutas em curso que projetam o nome do quilombo em iniciativas ecológicas, como o reflorestamento da bacia do rio São Bartolomeu, religiosas, como o mutirão de construção de uma igreja de duas torres, musicais e culturais.

Orgulhosa do sucesso do filho Walison, que viajou à Itália como jovem produtor rural em iniciativa do movimento Slow Food, a irmã de Sandra, Célia Pereira Braga da Costa montou um museu na antiga capela local, que deixou o representante do Instituto Brasileiro de Museus admirado. “Vocês fizeram tudo isso sem o Ibram!”, disse ele aos moradores, segundo Célia.

O museu já foi visitado por diplomatas dos Estados Unidos e de Cuba, cuja embaixada se dispôs a ajudar na sua reforma. Em visita aos Mesquita, músicos do Mali também reconheceram em objetos e práticas alimentares locais muita semelhança com o que fazem em sua terra.

A visita da Unidade Móvel aos Mesquita mobilizou gente de três áreas da Semidh – como as psicólogas, Gabriela , da coordenação de enfrentamento à violência contra a mulher, e Lee Eliete, da coordenação de diversidade, a advogada Lucélia Aguiar e a assistente social Andressa Lustosa Cavalcante, da Secretaria adjunta de Políticas para a igualdade racial – e aliados, como Teresa Cristina e a militante cigana Sônia Pereira dos Reis (“dos rômanis”), responsável pelo segmento de raça e etnia das Mulheres Socialistas do Partido Socialista Brasileiro (PSB).