Governo do Distrito Federal
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18/03/15 às 23h29 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Saiba mais sobre o 21 de Março

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Data consagrada à luta pela eliminação do racismo foi decidida pela ONU em reunião em Brasília

Lunde Braghini Júnior
Da Ascom Semidh

O 21 de março celebra a jornada de luta dos negros e negras sul-africanos que, em 1960, redundou em terrível repressão policial, responsável por 69 mortos, a maioria pelas costas, e duas centenas de feridos em uma manifestação contra o apartheid.

Os negras e negros da cidade de Sharpeville protestavam contra os obstáculos que a Lei do Passe lhes colocava para circular, em situação semelhante às dificuldades que a Lei da Vadiagem almejou impor à massa de negros recém-libertos, logo no início da República, quando uma série de leis procurou inibir a presença e a manifestação negras na sociedade.

Seis anos depois do massacre de Sharpeville, foi numa reunião realizada em Brasília, em 1966, no Hotel Nacional, com a presença de representantes de 29 países, que a data de 21 de março foi indicada como marco internacional para o combate ao racismo.

Nesse mesmo ano, pouco antes da reunião de Brasília, um dos principais nomes da política do apartheid, e um dos responsáveis por Shaperville, o então primeiro-ministro sul-africano, Hendrik Frensch Verwoerd, no poder desde 1958, foi assassinado por Dimitri Tsafendas.

Pelo esfaqueamento público de Verwoerd, num ato súbito, no início de uma sessão vespertina da câmara baixa do Parlamento sul-Africano, onde havia pouco começara a trabalhar como mensageiro, Tsafendas ficou encarcerado, como doente mental, até perto de sua morte, em 1999.

Nascido em Lourenço Marques, atual Maputo, ele era filho de um imigrante grego e de uma moçambicana negra de pai alemão. Depois de uma atribulada vida que o capacitou a falar oito idiomas, em função de sucessivas viagens e deportações, Tsafendas ingressou na África do Sul, já na década de 1960.

Registrada como ação individual e insana, a morte do primeiro ministro sul-africano  tinha como pano de fundo a crueldade que o apartheid impunha às relações humanas. “Branco”, formalmente, Tsafendas teria pleiteado, sem sucesso, ser classificado como “coloured” (“mestiço”) para poder formalizar sua relação conjugal.

Em 1949, a Lei de Proibição dos Casamentos Mistos tornara ilegal o casamento entre pessoas de raças diferentes. A Lei da Imoralidade, em 1950, tornou crime relações sexuais entre pessoas de raças diferentes.

Não morreu como herói e nem lhe renderam homenagens como algum mártir da luta contra o apartheid. Em seu processo, chegou a dizer que matara Verwoerd por estar “beneficiando demais os negros”.

Cenário posteriormente de outras lutas e mais crueldades, Sharpeville foi a cidade escolhida por Nelson Mandela para assinar, em 10 de dezembro de 1996, a constituição da nova África do sul, que se erguia com a derrocada do apartheid em 1994.