Governo do Distrito Federal
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20/05/14 às 22h38 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Secretaria avança na responsabilização e reeducação de agressores

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Trabalho do Nafavd praticamente dobrou no primeiro trimestre deste ano em comparação a igual período do ano passado

nafavd20O trabalho realizado pelos núcleos de Atendimento a Família e Autores de Violência Doméstica (Nafavd), geridos pela Secretaria da Mulher do DF, teve um aumento de quase 100% no primeiro trimestre de 2014, em comparação a igual período de 2013.

De janeiro a março de 2013, foram feitos 1.890 atendimentos. Já no primeiro trimestre deste ano, o programa realizou 3.771 atendimentos a homens e mulheres em situação de violência doméstica.

Os dados foram divulgados durante o seminário “O Trabalho de Responsabilização e Reeducação com Autores de Violência Doméstica Contra as Mulheres”, promovido pela Subsecretaria de Enfrentamento à Violência, da Secretaria da Mulher, na quinta (15) e sexta (16), no Hotel Brasília Imperial.

“Com o programa, esperamos que os autores responsabilizem-se pela violência cometida, bem como desconstruam estereótipos de gênero e conscientizem-se de que a violência contra as mulheres, além de grave crime, é uma violação aos direitos humanos”, disse Valesca Leão, secretária da Mulher do DF.

A gerente do Nafavd, Maísa Guimarães, lembrou que esse trabalho soma-se às ações educativas e preventivas que buscam coibir o problema da violência doméstica, evitando que o homem volte a cometer agressões, em sentido mais imediato, e mudando mentalidades, para resultados no médio prazo.

Além dos servidores e servidoras da Secretaria da Mulher, participaram do seminário representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), do Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça (Depen-MJ) e do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT).

Estiveram presentes ainda, como painelistas, Adriano Beiras, psicólogo e doutor em Psicologia Social pela Universidad Autónoma de Barcelona; Fabiana Costa Barreto, promotora de Justiça; Maisa Guimarães, gerente do Nafavd e mestre em Psicologia; Bruno Schimidt, da Secretaria de Saúde e mestre em Psicologia Clínica e Cultura; Luís Henrique Aguiar, da Secretaria da Mulher e mestre em Psicologia Clínica e Cultura da UnB; e Fabrício Guimarães, psicólogo do Serav/Sepsi/TJDTF e doutorando e mestre em Psicológia Clínica e Cultura.

De acordo com os participantes, um dos principais desafios do Nafavd é responsabilizar os agressores de modo que eles compreendam que a violência não é fruto do uso de álcool ou de drogas, mas da própria construção da masculinidade que, de certa forma, potencializa esse exercício da violência sobre as mulheres.

Com isso, deve-se fazer com que o agressor repense suas condutas sociais, trabalhando, assim, questões como a revisão do papel do homem e da mulher na sociedade, a desconstrução de estereótipos e a crítica aos conceitos impostos por uma estrutura patriarcal e machista.

Adriano Beiras informou que o trabalho do Nafavd está sendo mapeado pelo Instituto Noos Promundo – MaisPai, juntamente com outros 24 organismos destinados ao acompanhamento dos autores de violência doméstica. “Precisamos avaliar potencialidades, fraquezas, obstáculos e oportunidades de reeducação que os equipamentos oferecem à sociedade”, disse ele.

O juiz Ben-Hur Viza, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Núcleo Bandeirante, defendeu, por sua vez, que é fundamental discutir métodos de abordagem diferenciada aos agressores e vítimas.

O seminário O Trabalho de Responsabilização e Reeducação com Autores de Violência Doméstica Contra as Mulheres” faz parte do convênio assinado entre a Secretaria da Mulher e o Depen. A criação de centros e serviços de atendimento a agressores está prevista na Lei Maria da Penha.

Carolina Sales
Ascom SEM-DF
3961-1782 e 3245-4779