Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
30/09/15 às 18h54 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Semidh recebe reivindicações de pessoas surdas

COMPARTILHAR

Dia Internacional do surdo fecha “setembro azul” mês de mobilização das pessoas com surdez

Setembro Azul3

Nesta quarta-feira, 30 de setembro, representantes de associações e federação de pessoas surdas, gestores e coordenadores da capacitação na Língua Brasileira de Sinais (Libras) entre outros servidores públicos e defensores da causa, trouxeram várias demandas à Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Um dos principais vetores na formação em Libras, o Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS/DF) procura espaço próprio para funcionar, pois hoje funciona como um “puxadinho”, nas palavras de sua coordenadora, do Centro de Educação Especial 1, na Asa Sul.

Aliado da luta do CAS, o diretor do CEE 1, Mauro Orlando Dumont, chama a função para o papel que o centro de capacitação, devidamente valorizado e equipado, pode desempenhar na capacitação de profissionais de outras áreas do governo. Em alguns casos, a presença de um intérprete, viola mesmo direitos de intimidade e privacidade.

 

Intrusão

Presidente do Sindicato dos Intérpretes de Libras, Michel Platini chamou a atenção para a situação do Centro de Testagem e Aconselhamento que funciona na Rodoviária e, recentemente, ficou desfalcado, por conta de uma licença-maternidade, da única profissional de aconselhamento que se qualificara para atender em Libras.

A qualificação da funcionária ocorrera por iniciativa do Núcleo de Surdos do grupo Estruturação, alarmado com a incidência de HIV entre os surdos LGBT. Michel sublinhou a angústia e incômodo de “traduzir na testagem”, que tem a ver com a intrusão da privacidade e na intimidade de uma pessoa por conta da deficiência do aconselhador se relacionar com uma pessoa surda que procura o serviço.

Ilustrado com exemplos extremos de pessoas que vieram a morrer por não serem entendidas no pronto-socorro de um hospital ou porque um policial atirou em pessoa que pensava estar fugindo quando simplesmente não o ouvira, a deficiência do Estado no acolhimento, entendimento e atendimento de pessoas surdas atinge até iniciativas de boa vontade, quando se acha que a tradução resolve tudo.

 

Concepção

A coordenadora geral do Cas, Jenaína Carvalho, e a coordenadora do Núcleo de Capacitação de Profissionais e da Comunidade em Geral (Nucap/Cas), Lira Matos Martins, chamaram a atenção para a importância de provas e procedimentos seletivos não serem meramente “traduzidos”, mas “concebidos” a partir da perspectiva da pessoa surda e das possibilidades expressivas da Libras.

De acordo com Lira, a Lei nº 5.016, de 11 de Janeiro de 2013 destaca a integração de pessoas prioritariamente surdas ao quadro de profissionais administrativos e pedagógicos, na qualidade de professores ou instrutores de Libras. Porém, os processos seletivos criam necessidades tão especiais que levam à reprovação como professor da Secretaria de Educação de pessoas selecionadas para integrar o corpo docente da Universidade de Brasília.

O secretário adjunto de direitos humanos, Raimer Rezende, o coordenador de promoção dos direitos das pessoas com deficiência (Promodef), Paulo Beck, e o assessor especial da Promodef e, também, presidente do Conselho das pessoas com deficiência, Carlos Guimarães, colocaram-se como parceiros e solidarizaram-se com as reivindicações na data que fecha o “setembro azul”.

Orgulho surdo

A propósito do pleito por espaço para suas sedes, feito por associações de surdos do cruzeiro e de planaltina, assim como pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), Carlos Guimarães destacou a necessidade de as entidades elaborarem projetos e ter em dia relatórios de atividades que favoreçam a visualização e a defesa do trabalho que fazem.

Paulo Beck destacou a atitude da Semidh no sentido de integrar representantes dos surdos e demais segmentos, no espírito “nada por nós sem nós”. Num diálogo com Mariana Caputo, primeira surda a dirigir uma Central de Interpretação de Libras, sugeriu-lhe responder, com bom humor, quando perguntassem a ela novamente “como é que surdo pode dirigir”:

– Com as mãos e com pernas! 

Marcado por várias datas comemorativas, como o dia internacional da linguagem de sinais (dia 10 de setembro), o dia nacional de luta da pessoa com deficiência (21), o dia nacional do surdo (26) e o dia internacional do surdo (30), setembro foi escolhido como mês do “orgulho surdo”. A cor azul foi adotada em referência à cor da fita que os nazistas amarravam aos braços dos surdos para assinalar sua suposta “inferioridade”.