Governo do Distrito Federal
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16/07/13 às 11h43 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

Testemunhas da violência doméstica têm tratamento especializado

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Tratamento psicológico e diálogo com as mães são essenciais para mudança de comportamento desses pequenos expectadores

Mais de 67% dos casos de violência doméstica são testemunhados por crianças, segundo pesquisa da Secretaria da Mulher, dados que reforçam ainda mais a necessidade de tratamento desses pequenos personagens que chegam acompanhados de suas mães à Casa Abrigo.

“É muito recorrente que crianças que conviveram com esse tipo de realidade a reproduzam na fase adulta, ou se mantenham vítimas. Nosso esforço na casa é mostrar que o conflito existe, mas que eles podem ser resolvidos através do diálogo”, ressaltou hoje a Secretária da Mulher, Olgamir Amancia.

A agressão e a culpa são sentimentos que caminham lado a lado com a criança que já presenciou ou foi vítima da agressão doméstica. De acordo com a coordenadora do Programa de Abrigamento, Karla Valente, essas vítimas necessitam de acompanhamento psicológico para mudar sua realidade.

“Muitas se sentem culpadas pelo pai agredir a mãe ou mesmo por sentirem raiva do agressor. Elas expressam essas emoções por meio de atividades lúdicas, como música, desenhos e trabalhos artísticos, e saem da Casa Abrigo com o tratamento já bastante avançado”, relatou Valente.

De acordo com a coordenadora, caso a mãe não consiga dar continuidade ao tratamento do filho fora da instituição, a melhor forma de cuidar do seu futuro é romper o vínculo da agressão dentro de casa por meio de diálogo e comportamentos positivos.

Para a secretária da Mulher, o amor é o principal fator que mantém a vítima com o agressor por tanto tempo. “A agressão não faz com que a vítima deixe de amar o parceiro. Essa violência está contaminada por essa lógica de sentimento, e a mulher, mesmo sabendo que aquilo está errado, continua amando”.

Segundo a secretária, a mulher foi educada em nossa sociedade para ser subserviente e guardar silêncio a fim de manter seu relacionamento, mas, por mais contraditório que seja denunciar alguém que se ama, essa ação deve ser feita, pois “a morte das mulheres vítimas da violência é algo anunciado”.

REALIDADE – O acompanhamento psicológico às famílias tem continuidade após a saída da Casa Abrigo, onde filhos e mães, assim como o agressor, são encaminhados ao Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVD) ou ao Centro Especializado da Mulher (CEAM).

Em todos os casos, há terapia individual e coletiva para os envolvidos, e, geralmente, o tempo de acompanhamento é de seis meses e pode ser prorrogado a depender do caso. “Os agressores não são tratados e sim trabalhados para fazerem reflexões acerca da forma como viviam”, explicou a secretária.

Durante o período em que estão na casa, as mulheres são avaliadas por assistentes sociais para receber os benefícios sociais a que têm direito -como salário-aluguel e Bolsa Família-, e a Secretaria da Mulher procura inserir as que ão possuem nenhuma perspectiva de trabalho em programas de qualificação profissional e na rede de empregos.

Denúncia – Fazer a denúncia é o primeiro passo para a mulher ser encaminhada à instituição. “As vítimas de violência devem registrar ocorrência em qualquer delegacia ou na própria Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), onde ela poderá pedir abrigamento se sentir que corre risco de morte”, explicou Olgamir.

De acordo com a secretária, a sociedade também é fundamental nesse processo, pois a lei permite que qualquer pessoa, caso presencie ou saiba de alguém sujeito a violência física, faça a denúncia, mesmo sem a permissão da vítima, ao ligar para os números 180 ou 156 opção 6.

Kelly Ikuma (Agência Brasília)