Governo do Distrito Federal
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13/06/13 às 18h46 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

Violência contra a pessoa idosa atinge mais às mulheres que homens, diz pesquisa

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Nesta quarta-feira, 12, a secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal, Olgamir Amancia Ferreira, participou do lançamento da cartilha Mapa da Violência Contra a Pessoa Idosa no DF, realizado no auditório Sepúlveda Pertence, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Na ocasião, ela proferiu uma palestra sobre violência, gênero e envelhecimento para mais de 100 pessoas.

O evento, alusivo ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa – 15 de junho -, foi organizado com o objetivo de realizar uma reflexão acerca da violência contra pessoas com mais de 60 anos no DF. Os dados demonstram que, geralmente, as mulheres são com maior frequência vítimas de violência do que os homens.

Para Olgamir Amancia, esse cenário é consequência de um contexto cultural e histórico que a sociedade impõe à mulher. “Os papéis de gênero e as relações de poder construídas ao longo do ciclo de vida tendem a criar uma situação mais vulnerável para as mulheres idosas. A violência sofrida por elas, geralmente, parte dos membros da família e/ou de prestadores/as de cuidados. Trata-se de um crime contra as mulheres que viola direitos humanos, social e politicamente consagrados”, comentou.

A pesquisa indica que mais de 36% das vítimas se encontram com idade entre 60 e 69 anos e as mulheres representam 63,82%. Em 2005, os dados indicavam que a idade das vítimas concentra-se também na faixa de 60 a 69 anos, com 43,49%, e as mulheres representavam 60,63% das vítimas. Esses números reforçam que o perfil mundial é a feminização da velhice. A maior expectativa de vida das mulheres, que faz com que haja mais mulheres idosas do que homens idosos, é uma das razões que podem contribuir para esta situação.

Em relação às regiões administrativas do Distrito Federal com maior incidência de casos de violência, destacam-se Ceilândia, com 18,20%; Brasília, com 11,13%; e Taguatinga, com 11,02%. A concentração de casos de violência nessas cidades retrata também o maior contingente desse segmento populacional nas respectivas regiões administrativas do DF.

As denúncias de violência contra a pessoa idosa aumentaram gradativamente ao longo dos anos, havendo um incremento a partir de 2011, em razão da implementação do Módulo Idoso, no Disque 100, e do aperfeiçoamento da compulsoriedade das notificações.

O estudo também reforça o perfil do agressor identificado em outras pesquisas, uma vez que aproximadamente 65% dos agressores foram os próprios filhos. “A pessoa idosa vítima de violência intrafamiliar está inserida em um contexto de vulnerabilidade, onde convive com o medo, com o sentimento de culpa – por ser o próprio filho o agressor – e com a vergonha. Nesse sentido, portanto, a presença do amor maternal/paternal dificulta a denúncia do familiar agressor e favorece a manutenção da situação de violência”, alertou a coordenadora da Central Judicial do Idoso, Paula Regina de Oliveira Ribeiro.