Governo do Distrito Federal
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18/06/15 às 22h49 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Violência contra idosos atinge mais as mulheres

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Debate no Ceam abordou as causas desse problema

Dados do Mapa da Violência Contra a Pessoa Idosa no Distrito Federal mostram que, de 2008 a 2012, dos idosos que sofreram algum tipo de violência, 63,82% eram mulheres. Os tipos mais comuns de violência são a psicológica, com 31,81% dos casos, seguida da negligência, com 24,97%, da violência financeira, com 16,27%, e da violência física, com 14,71%.

As informações foram tema de debate realizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh), na manhã desta quinta-feira (18), por meio da Coordenação de Promoção dos Direitos das Pessoas Idosa (Codipi). O evento foi em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho. O debate foi realizado no Centro Especializado de Atendimento à Mulher da 102 Sul.

A pedagoga e assessora da Codipi, Jane Ferreira, disse que o problema é consequência de uma cultura patriarcal e machista que a sociedade impõe à mulher. “Os papéis de gênero e as relações de poder construídas ao longo do ciclo de vida tendem a criar uma situação mais vulnerável para as mulheres idosas. A violência sofrida por elas, geralmente, parte dos membros da família ou de prestadores de cuidados. Trata-se de um crime contra as mulheres que viola direitos humanos, social e politicamente consagrados”, comentou.

As denúncias de violência contra a pessoa idosa aumentaram gradativamente ao longo dos anos, havendo um incremento a partir de 2011, em razão da introdução do Módulo Idoso, no Disque 100, e do aperfeiçoamento quanto à obrigatoriedade das notificações.

Estereótipos

O debate também envolveu a construção do machismo ao longo dos anos, principalmente sobre a representação da mulher na mídia. A diretora de Promoção de Políticas para as Pessoas Idosas, Roberta Gregoli, mostrou como a sociedade internaliza conceitos e, com o passar dos anos, encara como normais situações que colocam as mulheres na condição de objeto.

“Vivemos numa sociedade machista que faz com que as mulheres acreditem que a culpa de praticamente tudo seja delas. Desde um desentendimento a um estupro ou outro tipo de agressão física, elas são levadas a carregar a culpa para si. Dentro deste contexto, é necessário dar poder a estas mulheres, para que tenham condições de enfrentar este machismo velado, enraizado em nossa sociedade”, analisou.

Programação

Ainda neste mês, a Secretaria realizará dois eventos em referência ao Dia Mundial de Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa. Uma audiência pública, em 30 de junho, no plenário da Câmara Legislativa, irá debater as formas de enfrentamento à violência contra as pessoas idosas.

E nos dias 30 de junho e 1º de julho, no Memorial JK e na EAPE, será realizado o Simpósio de Enfrentamento à Violência Contra Pessoas Idosas com palestras e oficinas voltado aos gestores, associações e grupos de pessoas idosas com intenção de apresentar os serviços disponíveis às pessoas idosas em situação de violência e o fluxo de atendimento.

Ascom Semidh
3961-1782