Governo do Distrito Federal
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21/11/12 às 14h16 - Atualizado em 29/10/18 às 11h13

Situação da mulher negra é posta em debate

A secretária-adjunta da Secretaria de Estado da Mulher do Distrito Federal, Valesca Leão, participou ontem, 20, da mesa de debate sobre “A negra e o negro em Brasília e suas expectativas”, realizada no Museu Nacional da República. O evento fez parte do calendário de ações que a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial do DF está promovendo em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra.

Além da secretária-adjunta, participaram dos debates a gerente de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Iraci Peixoto; a coordenadora de Educação em Diversidade da Secretaria de Educação do DF, Ana José Marques; a presidenta da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil (ANNEB), pastora Waldicéia de Moraes Teixiera; o assessor de comunicação da Secretaria de Trabalho do DF, Marcos Barbosa; e demais autoridades.

Em seu discurso, Valesca Leão destacou os desafios das mulheres negras no Distrito Federal, o trabalho que a Secretaria da Mulher vem realizando para promover a emancipação e autonomia destas mulheres e como governo e sociedade podem trabalhar juntos para acabar com o racismo no DF.

Para exemplificar seu discurso, a secretária-adjunta usou uma imagem baseada em uma novela exibida, atualmente, em uma emissora de TV. Nela, aparece o colo de uma mulher negra com o seguinte dizer: Da cor do pecado. “O significado da novela traduz uma versão discriminatória e etnocentrista que ainda permeia os nossos dias. Por isso, o dia 20 de novembro e todos os demais devem ser de muito ativismo, pois o preconceito deve ser debatido em todas as ocasiões”, acrescentou Valesca Leão.

O Dia da Consciência Negra, adotado em 1995, é celebrado na data da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro, símbolo da resistência negra. Os negros brasileiros reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade.

Situação dos negros no DF – A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou a pesquisa Perfil do Negro no DF – Escolaridade, Ocupação e Rendimento. A Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios do Distrito Federal – PDAD/DF 2011 apontou fortes desigualdades sociais com foco na questão racial.

Na população do Distrito Federal, estimada em 2.556.149, a maioria é constituída por negros. Os não-negros representam 46,0%, enquanto os negros representam 54%. A pesquisa mostrou um padrão diferente quanto à moradia dos negros no Distrito Federal. Nas regiões de rendas mais altas, como o Lago Sul e o Lago Norte, 81% da população é formada por não negros, enquanto nas regiões de menor poder aquisitivo, como Estrutural, Varjão e Itapoã, a situação é inversa, 71% a 76% da população é negra.

No Distrito Federal, os dados da PDAD mostraram que a escolaridade dos não negros é maior em relação à dos negros. Verificou-se que, do total da população que possui nível superior completo (405.315), incluindo curso de especialização, mestrado e doutorado, 67,1% são pessoas não negras. Quando desagregados por região administrativa, observou-se o maior diferencial: Lago Sul 83,5%, Lago Norte 82,2% e o Sudoeste/Octogonal 77,4%.

No que se refere ao ensino fundamental e médio, a situação se inverte: há muito mais pessoas negras com tais níveis de escolaridade em relação às não negras, salvo nas regiões de maior poder aquisitivo como Lago Sul, Lago Norte, Sudoeste/Octogonal, Park Way e Brasília.

Do total de negros (1.378.405) 4,4% são analfabetos, incluindo os que sabem apenas ler e escrever e os que possuem alfabetização de adulto, enquanto 9,7% possuem ensino superior completo. Nas regiões de maior poder aquisitivo, a população de raça negra possui grau de instrução elevado: a maioria possui ensino superior, como no Lago Norte (58,1%), Sudoeste/Octogonal (57,8%) e Lago Sul (51,5%). Por outro lado, nas regiões de menor poder aquisitivo predomina entre os negros o ensino fundamental incompleto, como na Estrutural (52,6%) e Itapoã (49,9%) (Tabela 2.1).

O estudo conclui que, ao analisar a situação entre negros e não negros sob a ótica da escolaridade, ocupação e rendimento, observa-se que, no Distrito Federal, os negros apresentam piores condições socioeconômicas.

Com Informações da Agência Brasília