Governo do Distrito Federal
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20/08/15 às 20h04 - Atualizado em 29/10/18 às 11h14

Ação no Centro Pop reúne Estado, sociedade e pessoas em situação de rua

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 Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua: mais de 500 pessoas são atendidas

Nesta quarta-feira, 19/8, a Secretaria de Estado de Políticas para a Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh) marcou a passagem do Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua com a prestação de serviços múltiplos a cerca de 500 pessoas em situação de rua. Realizado no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) da 903 Sul, entre 9 e 18h, a ação denominada Pop Rua foi viabilizada com o concurso de vários parceiros institucionais e da iniciativa privada.

Corte de cabelos, pintura de rosto, aferição de pressão arterial, oficina de escovação dentária, brechó, apresentações musicais, palestras sobre saúde e atendimentos jurídico e psicossocial foram serviços viabilizados com a colaboração de vários parceiros institucionais, como a Escola de Meninos e Meninas do Parque, e da sociedade civil, como a Casa do Ceará, o Movimento Rosa Brilhante do Itapoã e a Associação Casa Santo André.

“Estamos dando importantes passos para revisitar a política para pessoas em situação de rua, juntamente com a Secretaria de Estado de Relações Institucionais e Sociais (Seris) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), envolvendo os movimentos sociais e a sociedade civil”, disse a secretária da Semidh, Marise Nogueira, que destacou a importância de isso acontecer em diálogo com as pessoas em situação de rua.

Gerido pela Sedhs, o Centro Pop é um dos principais equipamentos no atendimento as pessoas em situação de rua. Para pessoas cujas carências e necessidades as distanciam até da possibilidade de se aproximar de outros equipamentos públicos, o centro é uma porta de acesso a serviços como os do Sistema Único de Saúde.

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Serviços

“Isso tinha que acontecer mais vezes”, avalia Enoque Conceição, há dez anos em situação de rua e há oito no Distrito Federal. Natural de Salvador, ele sofreu em 2005 um acidente na esmagadora de lixo quando trabalhava como gari.

Por conta do acidente, Enoque perdeu parte da massa encefálica e ganhou uma prótese no tornozelo direito. Mas não recebeu indenização. Segundo ele, um encaminhamento errado – uma guia para receber auxílio-doença – desqualificou a ação trabalhista.

Durante a manhã, ele aproveitou um pouco de tudo. Raspou a cabeça, procurou os direitos com a defensoria pública e também foi o primeiro dos atendimentos realizados pela equipe de dentistas em formação da Unieuro, que distribuiu 600 kits de escovação, dobro da expectativa inicial.

Com poucos dentes e usando durepox numa prótese, as necessidades de Enoque sensibilizaram a equipe e os seus coordenadores, que planejam dar atendimento posterior a ele e outros em serviço de extensão da instituição de ensino.

Usuário dos serviços do Centro Pop, Enoque considera-se “do quadro”. Antes dormia sobre papelão, exposto ao frio e ao medo, hoje passa as noites no albergue do Pistão Sul, em Taguatinga, para onde se desloca com ajuda de servidores do centro.

Desafio para todos

Usuário dos serviços do Centro Pop, David Batista entregou ao governador Rollemberg uma carta de reivindicações. “Dêivid” destacou a necessidade de oferecimento de suporte e oportunidade para as pessoas superarem a condição de rua com autonomia.

“Para trabalhar, precisamos apresentar documentos, como carteira de identidade e certidão de nascimento, que são frequentemente perdidos na situação de rua, e pelos quais temos que pagar”, disse David, arrolando uma série de outras necessidades básicas que devem ser supridas para se poder aproveitar uma oportunidade de trabalho, como banho, roupa limpa, dentes bons, saúde, educação, cultura, etc.

Segundo o governador Rodrigo Rollemberg, que esteve presente ao evento, “de todas as políticas públicas, a mais desafiadora é como proporcionar novos horizontes e novas oportunidades a pessoa em situação de rua, mas só vamos alcançar uma solução juntos, ouvindo as pessoas que vivem em situação de rua e aquelas pessoas que se dedicam a elas”, disse.

“Com toda sinceridade, gostaria de chegar ao final do meu governo na condição de ser olhado pelas pessoas de rua como um “governador Pop”, disse. “Nós como a capital do Brasil, temos uma obrigação: a de sermos referência na diminuição das desigualdades sociais, na construção de uma cultura de paz, na construção de respeito e tolerância entre as pessoas e na construção da dignidade humana”, finalizou.

Memória

O 19 de agosto marca o massacre na Praça de Sé, em São Paulo. Entre 19 e 22 de agosto de 2004, 15 pessoas foram atacadas enquanto dormiam nas ruas no centro da cidade, e sete delas morreram.